Como me livrar do meu ex?

Olá, 

Não sei se alguém vai ler minhas páginas, mas pretendo aqui escrever as memórias sobre meu relacionamento de 11 anos que chegou ao fim, já bem doente. Na verdade estou procurando pessoas para dar pitaco mesmo, me dizer se estou errada, ou no caminho certo. Espero que alguém leia, então!


capítulo 1. Problema desde o início.


Conheci o "ex" (aqui me reportarei à ele somente assim) numa festa tradicional de repúblicas em Ouro Preto. Na época, eu ficava com outro cara que era muito bacana, mas ciumento, daí já estava esfriando mesmo. No último dia da festa, o ex chega puxando assunto, muito simpático e inteligente, até demais, porque fazia parecer que a confecção de um panfleto de propaganda de locadora de vídeo (na época já em total decadência) uma grande jogada de marketing, coisa de especialista. Isso é gente cheia de lábia, hoje eu sei e não demorei muito para sacar de qual era a do ex.

O ex era estudante universitário na época, seu pais moravam em outra cidade e mantinham ele em repúblicas estudantis. Faltava 1 ano para ele terminar o curso (um senhor curso difícil na federal), mas se arrastou por mais 3 anos até que ele conseguiu terminar sua graduação que teve duração de 10 anos até a sua conclusão. A culpa nunca era dele e das noitadas, mas sim do seu irmão que era viciado em craque e que serviu de muleta para o ex. A princípio achei que era um grande ato de abnegação em prol do seu irmão, fiquei até admirada, até a mãe do ex revelar que não era bem assim tempos depois, que ele nunca cuidou do irmão, inclusive o ex também usou drogas.

No início ele era ótima companhia, não saíamos muito, mas o ex ia lá para casa e a gente gostava de ficar por lá. Impressionante como gostávamos das mesmas coisas, violão, vinho, estilo musical, comidas, filmes e esportes. Na terceira visita que o ex me fez, ele pediu dinheiro para ir embora de ônibus. Daí tive noção de que a gente não saia era porque ele não tinha recursos para isso. Nessa época eu já era formada há um bom tempo, tinha um emprego bacana que sustentava minha vida de solteira tranquilamente e ainda sobrava para festas e viagens. Já era independente e morava sozinha. Não queria ostentar nada, então eu comprava vinhos e queijos e a gente ficava em casa mesmo. Abri mão de muitos passeios com os amigos por não ter como levá-lo também.  

Seis meses se passaram desde quando ficamos pela primeira vez, essa foi a nossa primeira discussão, ainda meio velada, no qual dei um intimado nele: ou a gente assume namoro ou a gente vira amigo. Ficar mais do jeito que estava não dava mais. Adivinhem? Ele foi embora e eu fui pro bar com as amigas e amigos. Ele liga mais tarde, relato onde estava, ele arrepende-se e pede pra conversar e volta lá pra casa. 

Pouco tempo depois, o ex já estava morando lá em casa. Nessa época, uma amiga foi morar comigo e depois o ex acabou indo também, porque a república que ele morava fechou e faltava "pouco tempo" para ele se formar. Resolvi ajudar, inclusive tentando arrumar estágios para ele ganhar um dinheirinho e experiência, porque as despesas fixas foram divididas por 3 (eu pagava duas partes, né!). Adivinhem? não aceitou nenhuma proposta de estágio que arrumei para ele, na área dele, alegando que pagavam mal. Agora te pergunto, qual estagiário ganha bem? Eu fiz muitos estágios e trabalhos voluntários para melhorar meu currículo, eu acho que valeu muito a pena. 

O conjunto de prédios que eu morava estava sendo vendido e restavam pouquíssimos moradores no condomínio, pensei em encontrar logo outro apartamento para alugar. Nós 3 (eu, a amiga e o ex) encontramos um apartamento que nos atendia, tamanho, número de quartos, banheiros, etc. Resolvemos mudar. No final de semana da mudança, o ex resolve ir para a casa dos pais dele, dizendo que voltaria no sábado para ajudar e no domingo, o dia do transporte dos móveis pesados. Adivinhem? ele não voltou no sábado, mas disse que voltaria no domingo cedinho antes do caminhão. Adivinhem? ele chegou depois do almoço enquanto já havíamos carregado praticamente tudo com a ajuda dos parentes da minha amiga e de um vizinho solidário. Lógico que fiquei com raiva dele e não consegui cumprimentá-lo com um sorriso. Adivinhem? ele jogou a chave da minha casa na minha cara e foi embora. Chorei litrões e jurei que nunca mais iria encontrá-lo. 

Era isso que deveria ter feito. O sexo com o ex era uma coisa fenomenal para mim, tinha muita química e eu confundi isso com amor (hoje eu sei!). Mas o dia da mudança foi o dia que mais me arrependo na minha vida... a partir daí eu poderia ter quebrado logo esse ciclo de violência que eu estava me enfiando ceguinha.

Amanhã faço o capítulo 2, ainda pensando no seu título.   


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